Enquanto o país passava por um período de transição democrática, após 20 anos de ditadura militar, a Ashoka reconhece seu primeiro grupo de empreendedores sociais em toda a América Latina: Alba Lucy Giraldo Figueroa, Emílio Maciel Eigenheer, Lenira Haddad, Renato Rodrigues Tucunduva Júnior e Silvia Maria Pereira de Carvalho. A Ashoka acreditou, antes de qualquer outro, que essas pessoas inovadoras poderiam redesenhar sistemas inteiros para o bem comum: era o surgimento do empreendedorismo social no Brasil.
Durante a Assembleia Constituinte de 1987-88, futuros Fellows Ashoka atuaram por dentro e por fora do Congresso para ampliar os direitos garantidos pela nova Constituição. Entre eles, Ailton Krenak (eleito em 1987) discursou em plenário defendendo a demarcação de terras indígenas. Márcio Santilli (eleito em 1989), então na comissão do Congresso sobre assuntos indígenas, ajudou a converter essa mobilização em texto constitucional. Já Sueli Carneiro (eleita em 1991) pressionou para que a Constituição tornasse crime a discriminação racial, abrindo caminho para políticas específicas de combate ao racismo.
Em 1990, o Brasil sancionava o Código de Defesa do Consumidor, fruto da mobilização de décadas de um movimento consumerista que ganhava força no país. A Fellow Ashoka Marilena Lazzarini (eleita em 1990) foi uma de suas protagonistas: em 1976, atuou na criação do Procon-SP, primeiro órgão público de defesa do consumidor do país, e depois fundou o Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), consolidando a sociedade civil como força independente nessa luta e uma das vozes que ajudaram a moldar a nova lei.
O Fellow Ashoka Daniel Becker (eleito em 2002) foi um dos idealizadores do que hoje é uma das principais estratégias de atenção primária à saúde no Sistema Único de Saúde (SUS). Fundador do CEDAPS (Centro de Promoção da Saúde), Daniel já vinha testando com moradores de favelas do Rio de Janeiro um modelo de saúde que confiava a comunidades — e não só a médicos e hospitais — o poder de identificar problemas e construir soluções. Essa aposta ajudaria a moldar um dos programas de saúde pública mais duradouros do Brasil.
Em 1996, nascia em São Paulo o Centro Ashoka-McKinsey de Empreendedorismo Social, uma das primeiras pontes entre o setor empresarial e a inovação social no Brasil. A parceria capacitou a Ashoka a dialogar de forma mais próxima com o mundo dos negócios e ajudou a McKinsey a construir uma atuação responsável no setor social.
A Ashoka criou a Geração MudaMundo com a visão de que a melhor forma de aumentar o número de pessoas capazes de promover transformação social é mudar a maneira como os jovens crescem. Por isso, a Geração MudaMundo passou a investir em jovens para que se tornassem agentes de transformação na prática, criando e coliderando seus próprios projetos. O programa chegou a reunir cerca de 400 mil agentes de transformação em todo o mundo.
Em 2012, a Lei 12.711/2012 reservou metade das vagas das universidades federais para estudantes de escola pública, com recorte racial para pessoas pretas, pardas e indígenas. Essa conquista foi resultado de décadas de mobilização do movimento negro brasileiro, com importantes contribuições de membros da comunidade Ashoka. Sueli Carneiro (eleita em 1991) construiu as evidências que uniram os movimentos negro e feminista em torno da pauta e defendeu a constitucionalidade das cotas raciais em audiência pública no Supremo Tribunal Federal. Frei David Santos (eleito em 2023), junto à Educafro, mobilizou uma rede nacional de cursinhos populares e pressionou para que o critério racial entrasse na lei.
Descrição
De diferentes partes do Brasil, Carlla (AM), Felipe (RJ), Isabelle (SP), Luan (PE), Luísa (PA), Luiz Henrique (PA), Midria (SP), Rhenan (TO) e Vitor (SC) formaram a primeira turma de Jovens Transformadores Ashoka no Brasil por suas ações que respondiam a desafios sociais urgentes em seus territórios. Ao fazer parte dessa comunidade, o grupo assumiu o compromisso de coliderar o movimento Um Mundo de Pessoas que Transformam.
Realizado no Brasil pela Ashoka e Faculdade de Educação da USP,
Em Santarém (PA), na Bacia do Tapajós, nasceu em 2021 a estratégia de Territórios Transformadores — localidades com alta densidade de agentes de mudança que atuam em rede para combater desigualdades. A frente foi coordenada por Lucineide Pinheiro (UFOPA), com participação de outros membros da comunidade como o Fellow Eugênio Scannavino (eleito em 1989) e seu irmão Caetano (Saúde e Alegria) e o Jovem Transformador Ashoka Henrique Ferreira. Hoje são nove Territórios Transformadores no Brasil: Tapajós, Manaus, Bahia, Ceará, Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Paraná.
Descrição
Ao completar quatro décadas de atuação no país, a Ashoka celebra não apenas sua trajetória, mas as milhares de pessoas que ajudaram a construir um Brasil mais justo, empático e colaborativo. Em 2026, a organização marca esse momento reunindo histórias de transformação de diferentes territórios, gerações e causas, reafirmando a certeza de que mudanças sistêmicas acontecem quando pessoas se reconhecem como agentes de transformação — e compartilham suas histórias.