Existem experiências de infância e familiares, os locais onde morei e vivi, que me influenciaram e me tornaram meu olhar mais sensível para algumas questões. Mas entendo que minha primeira experiência de transformação ocorreu ainda no início da minha trajetória acadêmica, tive a oportunidade de conhecer a Antártica, e sentir quão vulneráveis somos todos nós e quão bela, gentil e generosa é a natureza com a humanidade. E foi assim, ainda como um jovem pesquisador em ecologia, que tive contato direto com muitas comunidades costeiras altamente vulneráveis aos impactos ambientais. Aos poucos fui percebendo que o conhecimento científico, isoladamente, não era suficiente para gerar mudanças reais, comecei a atuar na interface entre ciência, saberes ancestrais, fortalecimento comunitário e apoio à tomadas de decisão.
Essas vivências despertaram em mim a compreensão de que transformação exige diálogo, empatia e ação coletiva. Foi nesse contexto que passei a desenvolver iniciativas que conectavam conservação ambiental com inclusão social, o que mais tarde culminou na criação de organizações como o Instituto Ilhas do Brasil e na atuação em projetos de adaptação climática com base comunitária. Essa experiência inicial moldou minha visão de que toda pessoa pode ser agente de transformação quando se reconhece como parte ativa das soluções.
Ao longo da minha trajetória, busquei promover mudanças sistêmicas em múltiplas dimensões:
Políticas Públicas:
Contribuí tecnicamente para a integração da agenda de adaptação às mudanças climáticas em políticas públicas e instrumentos de planejamento, incluindo projetos com governos e agências de cooperação internacional como CAF, BID, GIZ e PNUD. Destaco minha atuação em iniciativas como o fortalecimento do planejamento climático no Brasil e o apoio à construção de estratégias no contexto da COP30. Essas contribuições ajudaram a institucionalizar a adaptação como eixo estruturante da governança climática.
Cultura de Transformação Social:
Por meio do Instituto Ilhas do Brasil e de projetos como o Adaptar Comunidades, atuei diretamente com populações vulneráveis, promovendo capacitação, protagonismo local e fortalecimento da resiliência. Essas iniciativas impactaram dezenas de comunidades costeiras e contribuíram para formar lideranças locais engajadas na agenda climática.
Mudança de Mentalidade:
Minha atuação acadêmica e como consultor em ESG tem contribuído para transformar a forma como empresas e governos percebem a adaptação climática não apenas como risco, mas como oportunidade estratégica. Trabalhei com grandes corporações e conselhos empresariais, promovendo uma visão integrada entre clima, biodiversidade e valor econômico.
Replicação Independente:
As metodologias desenvolvidas em projetos como o Adaptar Brasil foram reconhecidas internacionalmente pela UNEP no âmbito do Nairobi Work Programme, e passaram a inspirar outras iniciativas de adaptação em diferentes territórios, ampliando escala e impacto de forma independente.
Ser Fellow da Ashoka foi um marco fundamental na minha trajetória. A Ashoka ampliou minha capacidade de impacto ao proporcionar conexões estratégicas, visibilidade internacional e acesso a uma rede global de empreendedores sociais comprometidos com mudanças sistêmicas. Foi na ASHOKA onde a capacidade de circular entre governos, área corporativa e iniciativas sociais, tronou-se natural. O aprendizado para o desenvolvimento de Projetos de impacto, capazes de captar recursos financeiros, e a estruturação de planos de negócios eficientes se fortaleceram ao estar junto das iniciativas da ASHOKA.
Mais do que apoio institucional, a Ashoka fortaleceu minha identidade como agente de transformação, reforçando valores como colaboração, empatia e inovação social. Isto me trouxe mais autoconfiança e foco. A interação com outros Fellows expandiu minha visão sobre escalabilidade e impacto, influenciando diretamente a evolução das minhas iniciativas e minha atuação em políticas públicas e governança climática.
Atualmente, atuo como Consultor Sênior em Adaptação às Mudanças do Clima em projetos de alta governança, como recentemente o apoio técnico à Presidência Brasileira da COP30, em parceria com o PNUD, MRE e MMA.
Minhas prioridades estão centradas em três eixos principais:
Integração entre adaptação e financiamento climático, buscando ampliar o acesso a recursos, especialmente para países, ecossistemas e comunidades vulneráveis e grupos vulneráveis;
Construção de narrativas estratégicas, que conectem ciência, políticas públicas e setor privado, promovendo uma visão transformadora da adaptação — incluindo abordagens como soluções baseadas na natureza e adaptação baseada em ecossistemas, com destaque para os Oceanos.
Inclusão e Clima, criando de forma colaborativa iniciativas de protagonismo de grupos vulneráveis, com destaque para pessoas com deficiência, em especial com Síndrome de Down.
Nos próximos 10 anos, acredito que a adaptação às mudanças climáticas estará na agenda ainda mais forte para se tornar um dos principais pilares do desenvolvimento global. Vejo algumas transformações centrais. A adaptação será integrada de forma transversal em políticas públicas, estratégias corporativas e sistemas financeiros, com métricas claras e obrigatórias. As soluções baseadas na natureza, crédito de biodiversidade, com destaque para os Oceanos serão norteadoras. As abordagens comunitárias ganharão ainda mais protagonismo, reconhecendo que resiliência climática depende da saúde dos territórios e do fortalecimento das capacidades locais. Imagino e desejo um futuro próximo onde cada jovem se reconheça como agente de transformação climática, e onde decisões econômicas e políticas incorporem, de forma estruturante, os limites e oportunidades do sistema Terra.