Rubens Barbosa

Rubens Barbosa

Atentado terrorista

No dia 11 de setembro de 2001, eu tinha marcado um almoço no Pentágono com um secretário. Pela manhã cedo estourou aquela coisa toda, embaixadores em Washington me ligavam, e eu falei: “Vou ficar na embaixada, não vou sair”. Porque tinha uma ameaça de bomba na Massachusetts Avenue, onde estão as embaixadas. “O meu pessoal vai ficar aqui.” A gente viu fumaça no Pentágono, da minha janela dava para ver.

No dia seguinte, liguei para a pessoa que eu iria encontrar: “Está tudo bem aí com você?” Ele falou: “Tudo bem, tive sorte.” Ele me convidou e dois dias depois eu fui ao Pentágono, que visitei por dentro e por fora, levado por esse amigo. Mas no dia 11 mesmo eu liguei para o presidente Fernando Henrique Cardoso, não para contar, porque ele estava vendo na televisão, mas para fazer uma análise. Eu falei francamente com ele: "Olha, mudou o mundo, mudou os Estados Unidos. Pode estar certo que isso aqui é uma coisa que vai alterar o mundo inteiro”.

A gente teve uma atuação muito importante lá, porque o Brasil propôs a convocação do TIAR, Tratado Interamericano de Assistência Recíproca, o pacto de defesa mútua entre os países americanos. Fizemos a proposta na Organização dos Estados Americanos (OEA). O México queria acabar com o tratado e a Argentina, era contra. O Vicente Fox, então presidente do México, tinha ido uma semana antes à OEA propondo acabar com o tratado. Aí veio o ataque terrorista, e o Brasil foi o primeiro a pedir que o TIAR fosse convocado.

Dias depois, o secretário que cuida da América Latina me chamou ao Departamento de Estado e disse: “Como está a posição do Brasil? O Brasil vai manter o apoio ao TIAR ou vai desistir?” Eu falei: “Você não pergunte isso para o Brasil. Você pergunte para a Argentina e para o México, porque eles é que não estão querendo. A nossa posição é pública, nós vamos apoiar vocês aqui. Reitero o apoio do Brasil à convocação do tratado”.

O TIAR foi convocado. Argentina e México se abstiveram.

Minibiografia

Rubens Barbosa nasceu na cidade de São Paulo em 13 de junho de 1938. É bacharel em Direito pela Faculdade de Direito da UFRJ. Após cursar o Instituto Rio Branco, em 1963 foi trabalhar no escritório no gabinete do ministro das Relações Exteriores, em Brasília. Posteriormente serviu na embaixada brasileira em Londres. Exerceu cargos de destaque no Itamaraty, como chefe de gabinete do ministro das Relações Exteriores, subsecretário-geral de Integração, Comércio Exterior e Assuntos Econômicos do Itamaraty e coordenador da Seção Brasileira do Grupo do Mercosul, entre 1990 e 1994. Foi secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda e representante permanente do Brasil junto à Associação Latino-Americana de Integração (Aladi). Foi embaixador em Londres, de 1994 a 1999, e em Washington, entre 1999 e 2004. Após a aposentadoria da carreira diplomática, manteve-se muito atuante no debate público sobre política externa, tendo publicado diversos livros, como Um Diplomata a Serviço do Estado e O Dissenso de Washington. Fundador e editor da revista Interesse Nacional, foi também fundador-presidente do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Irice).

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