Renato Prado Guimarães

Renato Prado Guimarães

Cônsul no Japão

O cônsul é historicamente anterior ao diplomata. O cônsul era, sobretudo, o cartório do comércio internacional. Eles legalizavam as faturas comerciais, operavam na assistência às tripulações de seus navios, nos portos em que estivessem servindo.

O diplomata trabalha mais na representação do Estado-Nação. Ele é um enviado do país para representá-lo ante outro país.
O cônsul não pode deixar de representar, e bem, o seu país. Ultimamente, isso tem evoluído demais, sobretudo no caso brasileiro, com a migração internacional. Não só no caso do Brasil, mas em todos os países. Há uma grande troca de populações por todo o mundo. E o cônsul está vindo a se tornar um cuidador dos seus emigrados.

No meu caso, no Japão, tive o privilégio de conviver e cuidar, na medida das minhas possibilidades, de uma comunidade extraordinária, os nisseis brasileiros. Dos quais eu digo que aqui no Brasil se sentem japoneses, mas ao desembarcarem em Tóquio descobrem que são brasileiros.
A comunidade brasileira no Japão tem dezenas de escolas brasileiras reconhecidas pelo Ministério da Educação para educar suas crianças lá. Eles têm estação de televisão própria, têm jornal próprio. Lutam capoeira, devem lutar jiu-jitsu também, mas a ênfase é na capoeira, e jogam também futebol. Comem feijoada, todo fim de semana eu ia para o interior, para alguma cidade com grande presença de brasileiros, para comer a feijoada do dia, que era ótima.

Era uma comunidade muito, muito especial, eu me aproximei muito dela, sentindo até que essas pessoas precisavam desse elo com o Brasil, porque não são sempre bem- entendidas e compreendidas pela comunidade local japonesa. Foi para mim uma esplendorosa experiência, que apreciei muito. Gente realmente muito boa.

Nos Estados Unidos é um pouco diferente. A comunidade é mais esparsa e é um pouco menos organizada. Embora tenha certos pontos de concentração, como a famosa Rua 46, que é exemplo disso. A do Japão é absolutamente bem-entrosada… E nos Estados Unidos estamos vivendo agora esse movimento de volta… Muito doloroso.

Minibiografia

Renato Prado Guimarães nasceu em 5 de abril de 1938 na cidade de Colina, São Paulo. Ainda na infância, mudou-se com a família para a capital, onde iniciou seus estudos. Por influência do pai, que fez carreira no jornalismo, exerceu essa profissão. Cursou a faculdade de Direito do Largo de São Francisco, da USP, e ingressou no Itamaraty em 1963. Ocupou cargos diversos na Secretaria de Estado, com destaque para o fato de ter sido porta-voz do Itamaraty e chefe do Gabinete do ministro de Estado. Como diplomata, trabalhou em vários postos no exterior. Promovido a embaixador em 1987, exerceu a chefia de embaixadas na Venezuela, no Uruguai e na Austrália (cumulativamente, igualmente na Nova Zelândia e em Papua-Nova Guiné). Foi também cônsul-geral do Brasil em Frankfurt, na Alemanha, e em Tóquio. Foi chefe do Escritório do Ministério das Relações Exteriores em São Paulo (Eresp) quando da sua criação, em 1998. Desde a sua aposentadoria, em 2008, Renato tem-se dedicado à escrita e à publicação de livros, como Crônicas do Inesperado, de 2009, e Vou-me embora para Colina, de 2018.

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