Gilberto Vergne Saboia

Gilberto Vergne Saboia

Na batida do martelo

Eu voltei a Brasília, em 1989, para trabalhar na Secretaria-Geral do ministério, dessa vez com o embaixador Marcos Azambuja. Estávamos no governo do presidente Fernando Collor. Fui promovido a embaixador pelo Collor, antes dele ser impeached. De Brasília eu saí para Genebra. Em 1993, quando cheguei a Genebra já como embaixador alterno – isto é, eu era o subchefe da missão –, tratava de direitos humanos naturalmente. E estava sendo preparada a Conferência de Viena sobre direitos humanos. À época estava a maior confusão, porque já tinha havido não sei quantas reuniões do comitê preparatório e não havia consenso sobre o documento que seria examinado pela conferência.

Participei da última sessão do comitê preparatório. Tinha um documento que o secretariado havia preparado e os países que se opunham botavam colchetes. Todo mundo achava que a conferência ia fracassar. Eu passei a ter uma participação e havia uma embaixadora do Canadá que achou que eu podia ser o presidente do Comitê de Redação. Não foi o Brasil que quis que eu fosse, foi ela. O meu colega e amigo José Augusto Lindgren era o chefe do Departamento de Direitos Humanos. Ele estava em Brasília e eu telefonei para ele. Eu disse: “A embaixadora canadense está achando que eu posso ser presidente do Comitê de Redação. O que você acha?” “Eu acho uma ótima ideia.” “Bom, então, está bem. Eu acabei de chegar aqui e não participei de nenhuma reunião prévia, só dessa última. A situação aqui é catastrófica.”

Eu fui para Viena e foi uma coisa alucinante. A gente trabalhava até altas horas e eu tive uma ajuda inestimável da secretária do Comitê de Redação, Tota Mukherjee, uma diplomata indiana que depois viria a ser embaixadora. E aí eu comecei a mandar no comitê. Eu colocava as coisas em discussão e, se não houvesse objeções, eu batia o martelo e aprovava. Eu estive com o embaixador Calero Rodrigues, em outra reunião, e ele me disse: “Você foi ótimo lá, parabéns! Mas teve gente que achou que você batia o martelo rápido demais.”

Minibiografia

Gilberto Vergne Saboia nasceu no Rio de Janeiro em 16 de maio de 1942. Cursou a faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) e, em 1964, passou a cursar o Instituto Rio Branco. Ingressou no Itamaraty em 1966 e ao longo de sua carreira diplomática destacou-se pela sua atuação junto à Organização das Nações Unidas (ONU) e a participação em fóruns multilaterais, em especial voltados para a pauta da defesa dos direitos humanos. Chefiou a delegação brasileira na Comissão de Direitos Humanos da ONU e no Comitê Executivo do Alto Comissariado para Refugiados. Presidiu o Comitê de Redação da Conferência Mundial dos Direitos Humanos, em 1993, responsável pela elaboração da Declaração e Programa de Ação de Viena. Também chefiou a delegação brasileira na Conferência para o Estabelecimento do Tribunal Penal Internacional, em Roma (1998). Entre 2000 e 2001 foi secretário de Estado dos Direitos Humanos e também assumiu o cargo de subsecretário-geral de Assuntos Políticos do Itamaraty entre 2002 e 2003. Chefiou as embaixadas brasileiras em Estocolmo, Haia e Budapeste.

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