Paulo Sergio Traballi Bozzi

Paulo Sérgio Traballi-Bozzi

Mercosul

A diplomacia brasileira é uma das melhores diplomacias do mundo. Por quê? Porque tem confiabilidade, é assertiva e, vou dizer, tem pontualidade. Nós não falhamos. É muito pouco conhecido, o nosso trabalho. Seja pela dona de casa, pelo empresário na Fiesp [Federação das Indústrias de São Paulo], pelo cara que tem o radinho e está ouvindo futebol, Corinthians e Palmeiras, e não sabem o que fazemos. Porque essas outras instituições [do serviço público brasileiro] são muito boas, são excelentes, eu diria. Mas nós somos muito melhores. Por quê? Porque nós tratamos com o dinheiro do país, com a comida do país, com a indústria do país, com o brasileiro. E ninguém sabe.

Eu, por exemplo, tive a oportunidade de trabalhar em toda a construção do Mercosul, como subchefe da Divisão do Mercosul. Você vai discutir, por exemplo, a famosa TEC, Tarifa Externa Comum. Tem uma ideia da complexidade disso? Tem uma ideia do resultado disso? Isso vai resultar no preço da sua comida, no preço do seu vestir, no preço do seu carro, no preço do seu sapato e por aí vai. Ninguém sabe disso. E por incrível que pareça tem técnicos, tanto do Ministério da Economia da Argentina, Ministério da Fazenda do Brasil, do Paraguai e do Uruguai, que discutem isso assim como se estivessem discutindo a partida de futebol.

E um produto, vamos dizer o açúcar, que foi exceção no Mercosul. Mas o açúcar tem doze aberturas, que era o máximo de abertura permitido pelas regras do Gatt, que depois virou a OMC. Doze quer dizer o seguinte: 001 açúcar, 0005.012 açúcar demerara misturado com mel, com não sei o que da abelha do Alto Xingu. E aí tem uma tarifa para ele. Pense que é uma lista tarifária, que os capítulos têm 100 produtos, outros têm 200 produtos, outros têm 50 produtos, você tem que discutir cada coisinha daquela, porque envolve o seu comércio exterior. Ainda que nós tenhamos uma tarifa externa comum, a famosa TEC, a Argentina teve não sei quantas exceções, o Paraguai teve 900 exceções, é um negócio extremamente complexo.

Minibiografia

Paulo Sérgio Traballi Bozzi nasceu no Rio de Janeiro em 24 de agosto de 1947. Cursou aí a faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Cândido Mendes. Integrou a primeira turma a fazer o curso de formação para diplomata do Instituto Rio Branco em Brasília e ingressou no Itamaraty em 1977. Na Secretaria de Estado de Relações Exteriores, começou trabalhando na Divisão de Orçamento e Programação Financeira, passando depois por outras áreas. No exterior, trabalhou no Consulado de Londres (1980-1983), onde chegou a ser cônsul-adjunto, e nas embaixadas brasileiras em Moscou (1983-1984), Tóquio (1987-1990), Assunção (1991-1994), Berna (1997-2001) e novamente em Tóquio (2001-2003), onde participou de conferência para reconstrução do Sri-Lanka (2003). Trabalhou também como subchefe da Divisão do Mercosul (1995-1997) e foi nomeado cônsul-geral em Caiena (2003-2005), em seguida cônsul-geral adjunto em Buenos Aires (2005-2008). Chefiou o Escritório de Representação do Itamaraty em São Paulo (Eresp) entre 2008 e 2011 e foi, em seguida, embaixador do Brasil em Port of Spain, na República de Trinidad e Tobago.

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