Sérgio Eduardo Moreira Lima

Sergio Eduardo Moreira Lima

Mudança de patamar

Eu comecei em uma divisão em que a minha primeira tarefa foi preparar uma palestra para o então conselheiro, ministro logo em seguida, João Hermes Pereira de Araújo. Aprendi muito com ele, porque ele corrigia as coisas que eu escrevia, comentava comigo. Foi um período de muito aprendizado, que se tornou conhecido como do “pragmatismo responsável”. E esse documento que eu fiz a pedido do ministro me leva então a trabalhar no Gabinete. Aquilo mudou inteiramente a minha vida profissional e intelectual. Eu aprendi muito.

Apesar de ser um regime militar, eu tinha um orgulho porque havia ali uma preocupação de mudar o Brasil. Mudar no sentido de ter maior autonomia e de uma relação com todos os países. O Brasil é um país formado por gente de todas as partes do mundo e não era natural que ficasse a reboque dos Estados Unidos e de Portugal, que tinham visões de mundo diferentes da nossa. Na época, o chanceler Azeredo da Silveira batizou aquela diplomacia de “política ecumênica”, ecumenismo com pragmatismo responsável.

Por que pragmatismo? Porque ele precisava romper com os condicionamentos ideológicos do regime. O regime era de direita, então, quando se fala em pragmatismo, você passa a ter uma permissão ideológica para vencer restrições e fazer movimentos que não estavam ligados à ideologia prevalecente na superpotência dos Estados Unidos. E fazer aquilo que é determinado pelo interesse nacional brasileiro. Se fosse necessário, você podia estabelecer uma relação com os países da ex-União Soviética, e foi o que nós fizemos; ou estabelecer relações com Angola, o que era mal visto pelos Estados Unidos por causa das políticas comunistas que, na visão americana, eles defendiam. O Brasil passou a agir orientado ao contrário do que aconteceu no início do golpe militar. Passou a agir de maneira diferenciada, voltada para os seus interesses, e isso fez uma grande diferença. Você estabeleceu ali um paradigma autonomista, realista, que mudou a política externa do Brasil definitivamente.

Minibiografia

Sérgio Eduardo Moreira Lima nasceu no Rio de Janeiro em 19 de abril de 1949. Fez faculdade de Direito na então Universidade do Estado da Guanabara (UEG, atual Uerj), e ingressou na carreira diplomática em 1973. Entre os diversos cargos e áreas em que trabalhou na Secretaria de Estado de Relações Exteriores destacam-se: chefe da Divisão de Privilégios e Imunidades do Cerimonial (1987); chefe-substituto do Cerimonial (1987); coordenador executivo do Departamento Econômico (1992); chefe da Divisão de Agricultura e Produtos de Base (1992); chefe-substituto do Departamento de Política Comercial (1993); secretário da Secretaria de Controle Interno (1999); e presidente da Fundação Alexandre de Gusmão (Funag), entre 2013 e 2018. Seus primeiros postos no exterior foram nas embaixadas em Washington (1979) e em Lisboa (1983). Foi conselheiro na missão brasileira junto às Nações Unidas (1989), em Nova York, e trabalhou como ministro-conselheiro na Embaixada em Londres (1995). Como embaixador, foi designado para atuar nos seguintes postos: Tel Aviv (2003), Oslo (2007), Budapeste (2011) e, por fim, Camberra, em 2018. Atualmente, é consultor sênior da MV Global Consultoria e membro do conselho consultivo do Irice (Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior).

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