
O embaixador saiu dois anos depois que eu cheguei ao Uruguai. Com isso, vinha um novo embaixador. Quando eu vim a Brasília, sondaram o que poderia acontecer comigo, se eu iria continuar lá, se eu deveria voltar para cá.
Tive a sorte de ser convidada para chefiar o Departamento de Direitos Humanos e Temas Sociais. Com o governo Lula, havia muito incentivo para esse departamento, que abordava não só os direitos sociais, mas direitos de indígenas, crianças e mulheres e saúde. Era muito vasto. Foram anos de bastante atuação.
Foi criado, nessa época, o Conselho de Direitos Humanos da ONU. Portanto, eu atuava também como chefe do departamento junto ao Conselho em Genebra. Claro que eu tinha a assessoria dos embaixadores em Genebra.
Existiam grupos na parte da OMS, da Saúde, para aumentar a participação na África, e o Brasil também participava disso.
Era uma participação intensa toda hora. Eram dez conselhos vinculados a direitos humanos no Brasil.
– Quais foram os principais marcos da sua atuação no Departamento de Direitos Humanos?
Foram os relatórios feitos anualmente. Começaram a ser feitos naquela época. O Conselho de Direitos Humanos passou a exigir dos países um relatório de direitos humanos com todos os problemas que o país encontrava, para ser apresentado a toda a Assembleia Geral, para conhecimento e discussões.
O Brasil, naquela época, fez dois. Não é que eu tenha escrito os dois, mas eu acompanhei junto com o Ministério das Relações Exteriores, que foi assistir à apresentação.
Além do mais, o Brasil tinha uma política bastante atuante para a melhora dos direitos humanos no Brasil, e da mulher, também.
O que acontece? Nós temos excelentes leis, mas elas não são respeitadas. Hoje você sabe muito bem que há lei contra o racismo, contra isso, contra aquilo, mas naquela época era o início, não havia tanta aceitação assim.
Da saúde, dos indígenas, cada ângulo desses era acompanhado por um ou dois ou três diplomatas, com o Ministério de Relações Exteriores do presidente Lula. Então, ficava intenso toda hora. Eu passei nisso mais ou menos três anos.
Ana Lucy Gentil Cabral Petersen nasceu em Fortaleza no dia 7 de novembro de 1949. Em 1973, graduou-se em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), concluindo mestrado em Políticas Públicas Internacionais pela Universidade Johns Hopkins em 1986. Ingressou no Itamaraty em 1979, após ter concluído o curso do Instituto Rio Branco, ficando inicialmente lotada na Divisão de Europa II. Na Secretaria de Estado das Relações Exteriores, foi chefe substituta da Divisão de Imigração e chefe substituta da Divisão de Acompanhamento e Coordenação Administrativa dos Postos no Exterior. Chefiou o Departamento de Direitos Humanos e Temas Sociais, tendo, em seguida, aceitado o convite para ser chefe de gabinete do secretário-geral das Relações Exteriores. Serviu na Embaixada do Brasil em Washington de 1983 a 1986. Entre 1986 e 1989 esteve lotada na Embaixada do Brasil em Budapeste, sendo removida, na sequência, para a Embaixada do Brasil em Kingston (Jamaica), onde trabalhou até 1991. Em 1996 foi removida para Genebra, para integrar a delegação permanente do Brasil na Organização das Nações Unidas. Trabalhou também nas embaixadas brasileiras de Assunção e Montevidéu. Em 2010 foi designada embaixadora do Brasil em Luanda e, em 2013, cônsul-geral em Nova York. Encerrou sua trajetória no Itamaraty como embaixadora do Brasil no Reino da Tailândia, cumulativamente com Camboja e Laos.
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