Ana Lucy Gentil Cabral Petersen

Ana Lucy Gentil Cabral Petersen

Agenda ampliada de direitos humanos

O embaixador saiu dois anos depois que eu cheguei ao Uruguai. Com isso, vinha um novo embaixador. Quando eu vim a Brasília, sondaram o que poderia acontecer comigo, se eu iria continuar lá, se eu deveria voltar para cá.

Tive a sorte de ser convidada para chefiar o Departamento de Direitos Humanos e Temas Sociais. Com o governo Lula, havia muito incentivo para esse departamento, que abordava não só os direitos sociais, mas direitos de indígenas, crianças e mulheres e saúde. Era muito vasto. Foram anos de bastante atuação.

Foi criado, nessa época, o Conselho de Direitos Humanos da ONU. Portanto, eu atuava também como chefe do departamento junto ao Conselho em Genebra. Claro que eu tinha a assessoria dos embaixadores em Genebra.

Existiam grupos na parte da OMS, da Saúde, para aumentar a participação na África, e o Brasil também participava disso.

Era uma participação intensa toda hora. Eram dez conselhos vinculados a direitos humanos no Brasil.

– Quais foram os principais marcos da sua atuação no Departamento de Direitos Humanos?
Foram os relatórios feitos anualmente. Começaram a ser feitos naquela época. O Conselho de Direitos Humanos passou a exigir dos países um relatório de direitos humanos com todos os problemas que o país encontrava, para ser apresentado a toda a Assembleia Geral, para conhecimento e discussões.

O Brasil, naquela época, fez dois. Não é que eu tenha escrito os dois, mas eu acompanhei junto com o Ministério das Relações Exteriores, que foi assistir à apresentação.

Além do mais, o Brasil tinha uma política bastante atuante para a melhora dos direitos humanos no Brasil, e da mulher, também.

O que acontece? Nós temos excelentes leis, mas elas não são respeitadas. Hoje você sabe muito bem que há lei contra o racismo, contra isso, contra aquilo, mas naquela época era o início, não havia tanta aceitação assim.

Da saúde, dos indígenas, cada ângulo desses era acompanhado por um ou dois ou três diplomatas, com o Ministério de Relações Exteriores do presidente Lula. Então, ficava intenso toda hora. Eu passei nisso mais ou menos três anos.

Minibiografia

Ana Lucy Gentil Cabral Petersen nasceu em Fortaleza no dia 7 de novembro de 1949. Em 1973, graduou-se em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), concluindo mestrado em Políticas Públicas Internacionais pela Universidade Johns Hopkins em 1986. Ingressou no Itamaraty em 1979, após ter concluído o curso do Instituto Rio Branco, ficando inicialmente lotada na Divisão de Europa II. Na Secretaria de Estado das Relações Exteriores, foi chefe substituta da Divisão de Imigração e chefe substituta da Divisão de Acompanhamento e Coordenação Administrativa dos Postos no Exterior. Chefiou o Departamento de Direitos Humanos e Temas Sociais, tendo, em seguida, aceitado o convite para ser chefe de gabinete do secretário-geral das Relações Exteriores. Serviu na Embaixada do Brasil em Washington de 1983 a 1986. Entre 1986 e 1989 esteve lotada na Embaixada do Brasil em Budapeste, sendo removida, na sequência, para a Embaixada do Brasil em Kingston (Jamaica), onde trabalhou até 1991. Em 1996 foi removida para Genebra, para integrar a delegação permanente do Brasil na Organização das Nações Unidas. Trabalhou também nas embaixadas brasileiras de Assunção e Montevidéu. Em 2010 foi designada embaixadora do Brasil em Luanda e, em 2013, cônsul-geral em Nova York. Encerrou sua trajetória no Itamaraty como embaixadora do Brasil no Reino da Tailândia, cumulativamente com Camboja e Laos.

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