
Todo mundo associa sempre a carreira diplomática a uma vida cheia de glamour, mas tem o lado da família que eu acho importante frisar. É sobre a necessidade de se manter a família, preservar a sua família, porque são muitas mudanças, muitas as realidades, com as quais o cônjuge e os filhos têm que lidar. No meu caso, por exemplo, nós estávamos em Roma havia menos de dois anos, quando veio o convite do Celso Lafer, que havia sido designado para ser o novo embaixador em Genebra. Isso já era no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso e o Celso me convidou para ser ministro-conselheiro dele, em substituição ao José Alfredo Graça Lima, que tinha voltado com o Luiz Felipe Lampreia para o Brasil. O Lampreia ia ser ministro das Relações Exteriores e o Graça Lima foi trabalhar com ele.
Foi um período difícil para a minha mulher e para os meus filhos porque, em relativamente pouco tempo, eles estavam super bem adaptados em Roma, bem adaptados em termos de escola, de vida, de tudo. De repente, a nossa vida mudou completamente. Claro, estávamos dentro da Europa, saindo de Roma para morar em Genebra, mas era uma mudança total. Uma mudança de país, de língua, mudança de hábitos, de tipo de vida, e eles não estavam preparados para isso naquele momento. Mas tivemos que ir, fomos e felizmente deu tudo certo. Eu estou só mencionando isso porque, em geral, as pessoas não se dão conta do que é essa realidade de você, muitas vezes, ter que migrar com a família toda.
Depois, em uma outra ocasião, quando nós voltamos para Brasília e os meninos já eram adolescentes, eu me lembro que meus filhos viviam dizendo para mim: “Você que está indo embora, nós queríamos ficar aqui com os nossos amigos”. É uma realidade e muitas vezes as pessoas não se dão conta da importância de você manter uma boa estrutura familiar, ter uma boa cumplicidade com a sua mulher e dar bons exemplos para os seus filhos. Caso contrário, fica tudo meio difícil.
Nascido no Rio de Janeiro em 29 de abril de 1950, Carlos Antônio da Rocha Paranhos cursou a Faculdade Nacional de Direito da então Universidade do Brasil (atual UFRJ) e durante a sua graduação foi aprovado no concurso de admissão do Instituto Rio Branco, ingressando no Itamaraty em 1973. Dentre os diversos cargos exercidos na Secretaria de Estado das Relações Exteriores, foi chefe-substituto da Divisão de Política Comercial (1983-1985), chefe da Divisão da Europa II (1986-1993), chefe-substituto do Departamento da Europa (1990-1993); subsecretário-geral do Serviço Exterior (2002-2003) e subsecretário-geral de Política I (2013-2015). No exterior, Carlos Paranhos serviu nas embaixadas brasileiras em Paris, Caracas e Roma – onde foi representante alterno (substituto imediato do representante permanente) do Brasil junto à FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura). Desempenhou as funções de embaixador e representante alterno do Brasil em Genebra e foi embaixador brasileiro em Moscou, de 2008 a 2013, e em Copenhague, de 2015 a 2020, tendo encerrado a sua carreira no Itamaraty como embaixador em Naipidau, Mianmar.
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