Uma realidade da diplomacia constatada em Montevidéu

Mauro Malin

Motivação vai muito além da remuneração

Em 1992 acompanhei uma comitiva do governador de São Paulo a Montevidéu, onde Luiz Antônio Fleury Filho, secretários do governo e empresários tiveram encontros com empresários e autoridades de lá, inclusive o presidente Luis Alberto Lacalle (anos depois Lacalle Pou, seu filho, seria também presidente).

Ajudaram-nos funcionários da Embaixada do Brasil. Entre eles um diplomata em início de carreira, não sei se segundo ou terceiro-secretário, cujo nome não guardei. Na minha lembrança ficaram a imagem de um rapaz louro, estatura mediana, algo franzino, terno e gravata modestos, muita solicitude e uma informação "off the records", suscitada por indagação minha: "Nós ganhamos muito mal".

Foi uma surpresa para mim. Mas agora, lendo os depoimentos dos 30 diplomatas entrevistados no projeto Memórias da Diplomacia Brasileira, vi que fazia sentido.

Um dado que se deve levar em conta ao se avaliar o papel e o desempenho desses servidores de carreira do Estado brasileiro. Outros valores, não monetários, pesam bastante nas motivações do menos conhecido entre os mais estratégicos segmentos do nosso serviço público.

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