
A sua mãe fez promessa
Pra ele não morrer de fome:
Inácio foi o seu nome,
Humildade o atravessa,
E no cordel ele ingressa.
Na colheita de feijão
Ceará foi seu torrão,
Seu berço mais que estimado
Onde ele tem semeado
Poesia sobre o chão.

Da poesia um herdeiro,
Esse talento arretado
Fez verso sobre o roçado
Sobre a sombra e o juazeiro,
Sobre o pé de coqueiro,
Muriçoca e o sertão,
Encantou como Cancão,
Nunca fez verso ruim,
Da terra de Itapetim:
Leonardo Bastião.

É mestre pernambucano
Um franco aprendedor,
Um poeta e cantador,
Rabequeiro de Ariano;
Dia e noite, todo ano,
Estuda seu violino,
Erudito nordestino,
Do Quinteto Armorial,
Brincante espiritual
Do Carrossel do Destino.

Com sete anos de idade
Lirinha já viajava,
No Nordeste recitava
No sertão e na cidade,
No rio da oralidade,
Dessas águas foi banhado,
Pernambuco é seu estado,
Zé de Cazuza seu guia,
Se cantava até chovia
Cordel de Fogo Encantado.

Da cidade de Floresta,
Do Riacho do Navio,
Se banhou foi nesse rio,
Se cobriu até a testa…
Repentistas fazem festa
E celebram a Coqueiro
Que de cordéis é celeiro,
Editora nordestina.
Pernambuco dissemina
Cordel para o mundo inteiro.

Filho de Antônio Cardoso,
Bule-Bule não tem bula,
Cantador de samba-chula,
É rezador poderoso,
É baiano virtuoso,
Sabe a cura pelos chás,
Cala todas línguas más
Com seu dom de violeiro:
É vaqueiro e tiraneiro
Fez cordel dos Orixás.

É de São José do Egito,
Teve o cordel como berço
E do verso fez seu terço,
Feminino é o seu grito,
Da cultura faz agito;
Pra isso estudou direito,
Desmanchando o preconceito
Com poesia engajada.
No forró tem a levada,
Na cadência tem respeito.