Júlio Santos: Mestre da fotopintura

Conteúdos:
No ano quarenta e quatro,
Séc’lo vinte, Fortaleza,
Nascia seu Júlio Santos,
Homem de muita grandeza,
E é na fotopintura
Sua arte com beleza.

Ceará é um celeiro
De mentes iluminadas;
Alencar foi o primeiro
Palmilhando essas estradas,
Autor de diversas obras
Que ficaram registradas.
Uma estrela desse elenco
É a Raquel de Queiroz,
Quando a tragédia do Quinze
A mesma escreveu pra nós,
Acabando preconceitos
Pra mulher ter vez e voz.
Compondo músicas clássicas,
Alberto Nepomuceno
Ficou imortalizado
Pelo seu talento pleno;
Nessa mesma galeria
Cabe Juvenal Galeno.
O seu nome permanece
Gravado nessa memória
Por falar do jangadeiro
De heróica trajetória…
Das jangadas cearenses
Foi quem contou a história.
Patativa do Assaré
Também merece menção:
Foi um camponês dotado
Da mais bela inspiração
E cantou como ninguém
As histórias do Sertão.
Até aqui nesse texto
Nós abordamos somente
Os artistas do passado,
Porém, daqui para frente,
Vamos agora falar
De um artista do presente.
Toda memória de um povo
Deve ser bem preservada
Para que futuramente
Seja essa história contada.
Mestre Júlio vem fazendo
De maneira organizada.
No ano quarenta e quatro,
Séc’lo vinte, Fortaleza,
Nascia seu Júlio Santos,
Homem de muita grandeza,
E é na fotopintura
Sua arte com beleza.
Aos doze anos de idade
Teve na vida um roteiro:
Estudar em Garanhuns
Num importante mosteiro,
Mas, ao retornar de férias,
Foi ter outro paradeiro.
Seu pai, Francisco do Santos,
Junto com Antenor Medeiros,
Sócios num ateliê,
Inspiraram seus roteiros
E Júlio, dali para frente,
Teve outros paradeiros.
Seu primeiro aprendizado
Foi com a revelação.
Revelando negativos,
Foi fazendo ampliação
E aos quatorze de idade
Já fazia a criação.
Ia dando aos seus retratos
Um toque bem diferente,
Criando bonitas roupas,
Deixando a foto decente
E sempre fazia tudo
Com um valor excelente.
O ateliê ficou grande
Com produção importante
E mais de duas mil telas
Com um formato brilhante;
Júlio Santos era ali
Uma cabeça pensante.
Continua seu trabalho,
Feito com imenso amor.
Foto Paris o contrata
Para ser fotopintor,
Mas pra o estúdio do pai
Vai retornar com vigor…
…Agora pra dirigir
Aquele estúdio famoso.
Com toda capacidade
E trabalho habilidoso
Mestre Júlio já conquista
Título bem majestoso.
Mestre Júlio tem três filhos
Do primeiro casamento:
Paulo César, André e Vítor,
Cada um com seu talento;
O mestre casa de novo
Com bonito sentimento.
E dessa união vieram
A Rebeca e a Manuela,
Completando uma família
Bem estruturada e bela.
Mestre Júlio se consagra
O ilustre rei da tela.
Mestre Júlio ganha fama
Com primeira aparição:
Programa Brasil Legal
Vai ser sua redenção;
É a Regina Casé
Quem faz a publicação.
Encontra dificuldades,
Mas segue firme na luta.
Na escassez de papéis,
Ele sempre na labuta
Consolida seu trabalho
De maneira resoluta.
O seu caminho é trilhado
De maneira especial.
Vem o reconhecimento
Em nível nacional,
Com belas exposições
Desse artista genial.
A fotopintura que
Já tinha sido acolhida
Pela explosão das cores
Da tal foto colorida
E seria para muitos
Por ali bem esquecida.
E Júlio enfrenta com garra
As câmaras digitais:
Restaurações de imagens
Com efeitos especiais;
E tudo informatizado
Concorrências desleais.
No ano dois mil e seis
Com ajuda de um sobrinho,
Mestre Júlio também entra
Nesse importante caminho:
Dominou o Photoshop
Para não ficar mais sozinho.
E tentou nos próprios moldes
Seu talento rebuscar,
Sem deixar a sua arte
Um novo rumo tomar,
Mostrando todo o talento
De um artista popular.
A história agora é outra
O momento é virtual:
“As tintas estão ali”,
O pincel é genial
E Mestre Júlio transforma
De forma sensacional
Em dois mil e nove, o mestre
Júlio Santos auxiliou
Três artistas importantes;
O seu caminho mudou.
Foi um trabalho bonito
E registrado ficou.
No começo deste século
Ele fez demonstração
Num encontro popular
De elevado padrão
E a sua fotopintura
Alcançava projeção.
Pinacoteca em São Paulo
O seu trabalho é mostrado.
Mestre Júlio vai crescendo
Com trabalho organizado
E deixará para nós
Esse importante legado.
Homem simples reservado,
Mas com bastante altivez,
Vai assistir grande show
E sendo a primeira vez
A turnê dos Tribalistas
Que um grande trio fez.
E suas fotopinturas
Integram a exposição
Arnaldo Antunes, Marisa
Fazem, sim, demonstração
E Carlinhos Brown completa
Esse trio-sensação.
Diante da multidão
Ele recebe homenagem:
É um mosaico bonito
Trazendo linda mensagem,
Com suas fotopinturas
Formando a mais bela imagem.
Mestre Júlio representa
Muito bem meu Ceará
E a sua fotopintura
É a mais bela que há.
Receba assim um abraço
Do poeta de Tauá.
Ficha Técnica
Autoria: Paulo de Tarso (O Poeta de Tauá)
Curadoria: Museu da Pessoa
Xilogravura Capa: Cosmo Braz
Design Gráfico: Mariana Afonso
Impressão: Expressão Gráfica e Editora
Revisão e Consultoria: José Santos e Marco Haurélio
Paulo de Tarso Bezerra Gomes nasceu na Fazenda Confiança, distrito de Santa Teresa, município de Tauá (CE). Filho de Miguel Gomes de Freitas e Evina Bezerra Gomes. Formado em história pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e com pós-graduação pela Universidade Salgado de Oliveira, do Rio de Janeiro, escreve cordel desde 1987. É membro do Centro Cultural dos Cordelistas do Nordeste (CECORDEL). Tem quase 100 cordéis publicados com destaque para: Padre Cícero Romão, o Santo dos Nordestinos; Raquel, Nossa Escritora no Céu; A Escrava Isaura (adaptação da obra de Bernardo Guimarães); O Quinze (adaptação da obra de Raquel de Queiroz); O Rapaz que Brigou com Lobisomem; Outro Poeta Não Fez o Que o Patativa Faz; Quando os Bichos Estudavam. Fá de Luiz Gonzaga, é autor de 13 cordéis que exploram diferentes aspectos da vida e da obra do Rei do Baião.
Cosmo Braz de Lemos nasceu em Exu (PE) em 1968. Com quatro anos, mudou-se para Juazeiro do Norte (CE), onde vive até hoje. Nesta cidade, cursou o Ensino Médio, casou-se e tornou-se pai de três filhos. Influenciado pelos artistas locais, enveredou pela xilogravura. Além de entalhar capas para folhetos de cordel, ministra oficinas de xilogravura e participa de exposições e feiras literárias. Inicialmente seu trabalho era voltado para os cartoons. Participou de exposições como “Xilogravura e Cartoon”; “Padre Cícero em Xilogravura”, “Minha Vida em Xilogravura”, “Fome Zero e Árvore do Juazeiro”, “Preceitos Ecológicos do Padre Cícero”, entre outros. Realizou ainda trabalhos de ilustração para festejos juninas e carnavalescos de Juazeiro do Norte. É ligado à Lira Nordestina, nome da lendária tipografia de Juazeiro, assim rebatizada pelo genial Patativa do Assaré (originalmente, Tipografia São Francisco).
Realização

Nascido em Fortaleza (CE) em 1944, Mestre Júlio Santos dedica-se à arte da fotopintura. Destaque em exposições no Brasil e no exterior, presença em programas de TV jamais abandonou a sua técnica, cuja identidade visual se alinha à memória afetiva do povo brasileiro. Em 2018, suas fotopinturas fizeram parte da turnê do trio musical Tribalistas, formado por Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown, que o homenageou diante de um público de 20 mil pessoas no ginásio do Centro de Formação Olímpica, em Fortaleza.